ANÁLISE DO TEXTO: “30 ANOS DE VIGIAR E PUNIR (FOUCAULT)“.
ANÁLISE DO TEXTO: “30
ANOS DE VIGIAR E PUNIR (FOUCAULT)“.
O
presente trabalho tem como objetivo a análise do delinquente desde de sua
formação até a maneira em que este é controlado, segundo a ótica de Michel
Foucault.
Primeiramente,
relatou-se o poder de punir, como uma forma de manter a ordem social, ou seja,
os detentores do poder são aqueles que detém maior poder econômico no qual
exercem sobre os vigiados um controle político por intermédio do medo.
Identificamos semelhanças do presente texto
com teorias e pensamentos de estudiosos que contribuíram para o desenvolvimento
da criminologia, como a teoria do desenvolvimento humano bioecologia, o pensamento
de Ferri, o pensamento de Émile Durkheim, entre outros.
O
estudioso em comento explica que a aplicação da lei penal é uma tática política
de dominação orientada pelo saber cientifico, isto é, a influência ocorre
através do poder ideológico, econômico e político.
O
sistema Panótico de Foucault é basicamente um controle sobre a dúvida no indivíduo,
de estar sendo ou não observado. Em pormenores, a pessoa sente-se coagida de tal
maneira que respeita imposições a ela imputada. E ainda acrescenta, os vigiados
são as classes menos favorecidas no sistema de poder, na qual a vigilância é
instaurada.
Ao
estudar o sistema punitivo, Foucault, com sua teoria, fundamenta que o indivíduo
se torna dócil e útil, com a finalidade de beneficiar os detentores do poder.
Todavia,
faz uma crítica ao sistema prisional, uma vez que este deveria ressocializar o indivíduo,
de forma a resolver o problema desde a sua raiz. E complementa que, o que leva
uma pessoa a delinquir são as causalidades psicológicas da história individual
de cada um.
Estudou-se
sobre a questão positiva ou negativa da delinquência do indivíduo. Concluindo
que este é o resultado do meio no qual esta foi inserido e a que foi educado.
Quanto ao posicionamento do referido estudioso podemos complementar com o que
diz, a teoria da bioecologia do desenvolvimento humano, isto é, o
desenvolvimento psicossocial do indivíduo é o resultado de suas experiências,
como o microssistema (núcleo familiar), mesosistema (relação do indivíduo nas
escolas e bairros), exosistema (influências genéricas, no caso atribuídas pela
internet), macrosistema (cultura). Essas interferências por sua vez pode
influenciar na formação e desenvolvimento do indivíduo.
Émile
Durkheim por sua vez também abordar os reflexos do convívio social na formação
do indivíduo, ou seja, o comportamento pessoal está diretamente determinado
pelas normas e regras do grupo onde o indivíduo foi educado.
Ainda,
Foucault nos ensina que o crime como um jogo de forças, em que o poder se
concentra em quem possui poder econômico e a criminalização se concentra nas
classes oprimidas da população. Ou seja, a classe social e o posicionamento
econômico do indivíduo provoca a diferenciação entre quem tem poder e quem tem
a prisão. Por exemplo: se um magistrado tivesse a vida pobre como a do acusado,
poderia ser o réu em julgamento; se o réu fosse bem-nascido, poderia estar no
lugar do juiz. Enrico Ferri diz basicamente isto, este defende a ideia que o
crime decorre de fatores sociais, ou seja, onde o indivíduo foi nascido e
crescido.
Sabendo
disso, o meio social no qual o indivíduo está inserido determina o que este
poderá se tornar, entendendo assim, que os mecanismo para o controle da
criminalidade, nosso atual sistema penal, adotou a teoria eclética que é a
junção da teoria absoluta, ou seja, retribuir o agente pelos danos causados, e
teoria relativa, ou seja, que possui um viés de prevenir a ocorrência de novas
infrações além de ressocializar.
Por
conseguinte, os objetivos ideológicos diferem dos objetivos reais, no qual o
nosso atual sistema penal ao invés de ressocializar o indivíduo se torna um
mecanismo para organizar a delinquência. No entanto, Foucault ressaltou que a
lei penal é na verdade um instrumento de classe, no qual quem detém maior poder
econômico e devido ao saber científico possui também poder político que acaba
dominando as classes inferiores, não caracterizando um mecanismo para combater
a criminalidade.
Por
fim, embora a criminalidade além de ser um mecanismo de poder e punir, no qual
o poder de punir fica concentrado nas classes com maior poder econômico e
político, entendemos que a criminalidade é gerada por falta de infraestrutura e
oportunidades distribuídas na sociedade de maneira igualitária. Um dos
possíveis caminhos para se ter uma sociedade mais justa e igualitária, é tentar
equacionar as oportunidades, começando pela educação, pois a esta é uma forma
de transformar bons cidadãos evitando que estes indivíduos se tornem delinquentes.
Quanto aos que tenham comportamentos desviados é preciso ter um sistema de
ressocialização efetivo, somente desta forma será possível manter a ordem
social e ter uma sociedade menos violenta e um sistema penal eficaz e
ressocializador.
Heloize Mello
Renato Tavares
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